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Video: Mar destrói bar, peixaria e invade frigorífico no Pontal em Atafona

Prefeita entregou ao deputado Rodrigo Maia projeto de proteção e restauração da Praia de Atafona

POSTADO EM 12/06/2017 20:35:00 POR: VNOTÍCIA/Paulo Noel
Foto: Vnotícia/Paulo Noel
Foto: Vnotícia/Paulo Noel

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O mar voltou a castigar a região do Pontal de Atafona na tarde desta segunda-feira, 12/06. O site VNOTÍCIA acompanhou de perto este fenômeno, que segundo estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), vem ocorrendo há décadas, tendo já destruído cerca de 14 quadras e mais de 180 casas em Atafona.

 

O INPH observou, a partir de investigações no local e baseado em extensa bibliografia, que o litoral de Atafona apresentou severos períodos de erosão, tendo destaque nos anos entre 1964 a 1976.

 

Os estudos mais recentes apontam que a ação de eventos meteorológicos tipo El Niño e La Ninã acabam gerando alterações no comportamento litorâneo devido às modificações do padrão de ventos e ondas.

 

Segundo o professor do Instituto Federal Fluminense, Eduardo Bulhões, o fenômeno de avanço do mar ocorre em mais de setenta por cento da costa brasileira. No entanto, ele destaca que existem lugares em que o avanço do mar é mais brando e regiões onde é mais forte.

 

“Atafona é um exemplo de erosão de costeira forte. A gente tem estudos que indicam que em cinquenta anos as taxas anuais foram de cerca de sete metros por ano de avanço de erosão”, diz.

 

Para o professor, solução técnica de engenharia tem e acrescenta.

 

“O que se torna complexo é que o Pontal em Atafona é Foz de um Rio, o Rio Paraíba do Sul. Então você tem a hidrodinâmica fluvial e a hidrodinâmica marinha atuando em um processo de erosão. Além disso, são obras que demandam recursos com investimentos altos que não sei se a municipalidade tem condições de arcar”, concluiu.

 

Segundo Carlos Pereira, ex-vereador, há 25 anos o mar castiga o pontal. Ele acredita que a solução é a construção do quebra-mar.

 

A pescadora Maria Nelita Moreira Nunes disse que em períodos de noites de maré alta o jeito é dormir vigiando o mar.

 

“A gente fica acordada. Se de madrugada a água invadir a casa, o jeito é sair”, comenta.

 

Para o pescador Alceir da Silva Amaral, a força da maré, influenciada pela lua, joga muita água no Pontal. Ele também acredita que a solução é a construção de um quebra mar.

 

Para Fernando Meireles, a natureza é quem manda. “Já estamos a mais de uma semana assistindo este cenário de avanço do mar. Até o frigorifico onde trabalho foi inundado pelas águas. Empilhamos quarenta caixas de areia para proteger o prédio, mas pelo visto, não resolveu”, disse.

 

A prefeita Carla Machado, acompanhada do vice Alexandre Rosa, esteve em Brasília, onde discutiu assuntos relacionados a benefícios para São João da Barra. Ela entregou ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, cópia do Projeto de Proteção e Restauração da Praia de Atafona, realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH).

 

– Sei que a contenção do mar é um desejo de moradores, de frequentadores de Atafona e de todos nós. Reconheço que um recurso desse porte não está ao alcance do poder público municipal. A saída, portanto, é buscar apoio junto à esfera federal, única instância de governo que tem a capacidade financeira para executar essa obra – disse a prefeita.


 

Carla afirma que irá recorrer aos deputados do Estado do Rio de Janeiro na busca de recursos para que o projeto saia do papel. “Esperamos conseguir essa verba. Sei que essa não é uma questão de responsabilidade da prefeitura, mas nos preocupa o que pode vir a acontecer com Atafona e nos entristece tudo o que já presenciamos nesses mais de 50 anos de destruição”, finalizou. 

 

A obra que consta inclusive da construção de 9 espigões com 240 metros, de acordo com o engenheiro do INPH, Valtair Paes Leme, teria um custo estimado em torno de R$ 90 a R$ 130 milhões. Isso há quatro anos.

  

Em março deste ano, o site VNOTÍCIA esteve no Pontal e produziu uma matéria na área onde houve a invasão do mar esta semana. Confira o vídeo aqui “Recuperação do pontal é viável: se foi possível em Marataízes (ES), porque não será em Atafona?”

 

 






 
 
 

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