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Inpe monitora óleo por satélite e afirma que material pode chegar ao Espírito Santo e ao Rio

POSTADO EM 02/11/2019 01:46:00 POR: VNOTÍCIA
Mancha de óleo cercada por redes em Pernambuco (Foto: Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes)
Mancha de óleo cercada por redes em Pernambuco (Foto: Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes)

O Instituto de Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com sede em São José dos Campos, informou nesta sexta-feira (1°) que o óleo que atinge o litoral do nordeste pode chegar aos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro. O órgão foi acionado pelo comitê de crise do governo federal e atua para detectar movimentação e indicar locais com óleo no mar.

 

De acordo com o oceanógrafo Ronald Souza, que lidera o grupo de pesquisas, a hipótese é de que haja muito mais óleo em oceano aberto e há possibilidade desse material avançar pela costa brasileira e chegar ao Espírito Santo e ao norte do Rio de Janeiro. O relatório foi entregue pelo grupo de estudo à Marinha na tarde desta sexta-feira (1°).

 

“A hipótese do Inpe é de que há óleo em oceano aberto e que pode chegar até a costa de outros estados do país, incluindo o sudeste”, disse em entrevista coletiva.

 

Apesar disso, o oceanógrafo classificou como remota a possibilidade do óleo chegar a São Paulo por causa de características geográficas da costa brasileira.

 

"A corrente original fica muito mais longe da costa [de São Paulo] do que de Cabo Frio para cima. É uma proteção natural", explicou.

 

Ronald afirma que o Inpe foi acionado oficialmente pelo governo federal na última sexta-feira (25), quando foi emitida uma carta solicitando a cooperação com o comitê de crise que atua no caso. Ele afirma que o objetivo do órgão é monitorar o óleo e indicar para as autoridades onde há a presença do material.

 

"Estamos mapeando com o satélite essas áreas predeterminadas e desenhando mapas para que os navios de pesquisa possam ir a esses locais e identificar se há uma massa de óleo e então retirar isso”, explicou.

 

O primeiro passo foi analisar a imagem que mostrava uma mancha que poderia ser a fonte do óleo. As imagens foram confrontadas por radares e pesquisadores do instituto descobriram se tratar de um aglomerado de algas, e não uma massa de óleo.

 

Depois disso, eles passaram a estudar o curso do óleo, tendo como base as chegadas ao litoral para tentar chegar a resposta de onde ele poderia estar vindo. Ronald explica que a proporção é mais complexa, porque há possibilidade de que haja muito mais óleo do que se imagina. O resíduo tem chegado em partes separadas em praias do nordeste e em áreas da costa diferentes.

 

O oceanógrafo explica que isso acontece porque o óleo está em textura plástica, pela ação do tempo, e aglomerado em vórtices – pedaços de água desprendidos da corrente e que giram. Em seu movimento, é como se criassem bolhas de óleo e, em vórtices, caminham de maneira diferente do restante da água.

 

Para chegar ao resultado eles usaram imagens do Cbers-4 e de outros satélites observando o comportamento da área e das correntes marítimas dos últimos 60 dias.

 

A resposta, segundo Ronald, é um alerta de que pode haver muito mais óleo represado, mas também trazer uma resposta sobre a forma de conter a chegada das manchas às praias.

 

O relatório enviado pelo Inpe ao comitê nesta sexta é resultado de um trabalho de uma semana, com o tipo de cooperação que o pesquisador chamou de ‘informal’, por não estarem diretamente ligados ao comitê.

 

Questionado pela reportagem sobre a possibilidade de um contato tardio com a instituição, uma das referências em monitoramento e pesquisa no país, o pesquisador disse que o governo talvez não reconhecesse a área de oceanografia da instituição como a mais preparada para o caso.

 

Fonte: G1 Vale do Paraíba e Região

 

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