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Após ser preso em Presidente Kennedy, acusado de duplo homicídio pode ser solto

Entenda o caso de Adrianinho, que aguardava julgamento em liberdade; crime ocorreu em 2014

POSTADO EM 30/09/2020 21:10:00 POR: VNOTÍCIA
Imagens mostram a primeira prisão do acusado, em 2014 (fotos: arquivo)
Imagens mostram a primeira prisão do acusado, em 2014 (fotos: arquivo)

 

Reportagem: VNOTÍCIA

 

A Polícia Militar do Espírito Santo prendeu na manhã desta quarta-feira, 30, na localidade de Boa Esperança, interior de Presidente Kennedy, Adriano da Conceição de Lima, o Adrianinho, acusado de matar uma mulher e a filha dela em 2014, no assentamento Zumbi dos Palmares, em Campos dos Goytacazes.

 

Adrianinho responde pelo duplo homicídio na comarca de Campos dos Goytacazes, já que o crime ocorreu em território campista. A Justiça já decidiu que ele vai à júri popular, mas Adrianinho estava aguardando o julgamento em liberdade desde 2018.

 

O VNOTÍCIA apurou que ele foi preso nesta quarta-feira em função de outro processo. É que no momento em que foi detido em agosto de 2014, Adrianinho portava um revólver. Pelo crime de porte ilegal de arma de fogo ele foi condenado pela comarca de São Francisco de Itabapoana, já que sua prisão ocorreu na Praia de Guriri.

 

A Polícia Civil em Presidente Kennedy encaminhou Adrianinho na tarde desta quarta-feira para o Centro de Detenção Provisória de Marataízes, de onde será transferido para o Estado do Rio de Janeiro.

 

Entretanto, como a condenação pelo crime de porte ilegal de arma de fogo foi em regime aberto, Adrianinho poderá ser solto a qualquer momento, para a perplexidade de muita gente que está comemorando sua detenção.

 

Decisão da Sexta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça soltou Adrianinho desde 2018

 

Em pesquisa no site do Tribunal de Justiça, o VNOTÍCIA teve acesso aos autos do duplo homicídio em que Adrianinho é acusado da autoria. O autor confessou o crime aos policiais militares no momento da prisão, em agosto de 2014, mas o fato de ter permanecido em silêncio em juízo foi o suficiente para a Sexta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro acatar o pedido da defesa para que o acusado aguardasse o julgamento em liberdade.

 

Mesmo com o parecer do Ministério Público, contrário à soltura, os desembargadores que compõe o colegiado por unanimidade seguiram o voto do relator, desembargador José Muiños Piñeiro Filho, e, em abril de 2018, Adrianinho foi colocado em liberdade.

 

Mas onde estava morando Adrianinho esse tempo todo? Ninguém sabe ao certo. O fato é que chegou a circular uma informação em grupos de WhatsApp que Adrianinho teria sido liberado para deixar o presídio no dia dos pais deste ano e não teria voltado para cadeia, mas a informação não procede.

 

Provavelmente, o que deve ter acontecido é que o acusado estava residindo fora de São Francisco de Itabapoana, e, ao voltar ao município há cerca de duas semanas, foi visto por populares. Desde então o assunto da volta do elemento passou a ser um dos temas mais comentados nas redes sociais.

 

Tribunal do Júri sem data definida

 

A 1ª Vara Criminal de Campos dos Goytacazes já decidiu, Adrianinho vai à Júri Popular por duplo homicídio qualificado por motivo fútil, além da ocultação de cadáver. O Ministério Público já ofereceu a denúncia pelos referidos crimes e quer a condenação do réu. Ainda não há uma data para acontecer o julgamento. Sequer o acusado foi intimado da decisão ainda.

 

 

Relembre o crime

 

Gilcilene Paes Pereira, 44 anos, foi espancada e esfaqueada até a morte no quintal de sua casa após sua filha ter sido sequestrada na noite do dia 15 de maio, no assentamento Zumbi dos Palmares 4.

 

Cinco dias após o crime, o corpo da filha, Isabelle Paes Laurindo, de 10 anos, foi localizado dentro de um bebedouro de animais. Segundo a polícia na ocasião, Gilcilene recebeu golpes no rosto e na cabeça e pode ter entrado em luta corporal com o criminoso para tentar salvar a filha. Revoltados com o duplo homicídio, a casa do suspeito foi incendiada pelos vizinhos das vítimas.

 

As vítimas (foto acima) e o acusado eram de São Francisco de Itabapoana, mas residiam no assentamento Zumbi dos Palmares, em Campos, no limite com o município sanfranciscano,

 

O suspeito, Adriano Conceição de Lima morava a cerca de 500 metros do local do crime e foi visto pela última vez pegando ração na casa da vítima. Na residência, também foi encontrada uma sandália, esquecida pelo criminoso.

 

O pai do suspeito foi levado para a 146ª Delegacia de Guarus e reconheceu o calçado do filho. A polícia esteve duas vezes na casa de Adrianinho após o crime. A primeira vez encontrou uma calça, uma camisa, um par de tênis e duas munições calibre 20. As peças de roupa estavam com vestígios de sangue humano. Na segunda vez, os policiais apreenderam um revólver calibre 32 com seis munições e uma garrucha.

 

  

Acusado havia sido preso em 2014, escondido em um sofá

 

A prisão de Adriano Conceição de Lima, o Adrianinho, em agosto de 2014, quase três meses após o crime, foi possível graças a uma ação conjunta dos Polícias Militares da 3º Cia de Polícia Militar de São Francisco de Itabapoana, DPOs de Praça João Pessoa, Barra do Itabapoana e Gargaú.

 

Na ocasião, Adrianinho foi detido na Instituição do Menor Pinokio, em Guriri, litoral de São Francisco de Itabapoana. Adriano estava com um revólver calibre 32, com três munições deflagradas e duas intactas e uma faca.

 

Ele invadiu a cozinha da escola do Pinokio, acendeu a luz e começou a se alimentar. Foi uma interna do Pinokio que percebeu a luz da cozinha acesa.

 

Como havia a suspeita de que alguém havia invadido a escola, a Polícia Militar foi chamada. Antes da chegada da PM o prédio foi cercado por funcionários e internos do Pinókio. Quando a PM chegou, invadiu o prédio e encontrou Adrianinho escondido dentro de um sofá. Estava deitado e encolhido, e, após preso, foi levado para a 147ª DP de São Francisco de Itabapoana. Adrianinho ficou preso entre 2014 e 2018, tendo passado pelo Complexo Penitenciário de Gericinó e o Presídio Evaristo de Moraes no Rio de Janeiro.

 

Demora e sensação de impunidade gera revolta em SFI

 

Após as provas contra o acusado terem sido levantadas pela Polícia Civil, Delegacia de Guarus, e o Ministério Público pedir a condenação, o fato de Adrianinho estar solto gerou na população de São Francisco de Itabapoana muita revolta.

 

Familiares de Gilcilene e Isabelle ouvidos pelo VNOTÍCIA pedem que a Justiça reveja a decisão que soltou Adrianinho e apelam para que o acusado do crime volte para a cadeia e aguarde o julgamento preso.

 

 

 

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